A qualidade das águas subterrâneas no Estado de Minas Gerais vem sendo monitorada desde o ano de 2005, no contexto do Programa Águas de Minas, desenvolvido pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM). A Rede Estadual de Monitoramento de Qualidade de Águas Subterrâneas, possui características de rede secundária com alguns pontos com características de classe primária,e tem como objetivo principal a análise qualitativa dos recursos hídricos subterrâneos em seus aspectos de variação espacial e temporal.

O monitoramento permite a caracterização e a avaliação das condições de qualidade, de forma a assegurar o uso adequado dessas águas e também fornece subsídios para ações de prevenção e controle da poluição. Além do monitoramento qualitativo, o IGAM tem buscado também determinar, sempre que possível, os níveis estáticos d’água nos poços, in loco, para caracterização dos fluxos subterrâneos regionais e identificação de zonas de recarga e descarga nos aquíferos.

Rede Estadual de Monitoramento de Qualidade de Águas Subterrâneas

Atualmente o monitoramento das águas subterrâneas estaduais envolve as seguintes vertentes:

  • O monitoramento das águas subterrâneas no Norte de Minas Gerais – região do semiárido que abrange três sub-bacias hidrográficas da bacia do rio São Francisco – a sub-bacia do rio Verde Grande (UPGRH SF10), a sub-bacia dos rios Jequitaí e Pacuí (UPGRH SF6) e a sub-bacia do rio Pandeiros (UPGRH SF9). Nesta região de monitoramento, há predomínio do aquífero Bambuí, do tipo cárstico, cárstico-fissurado e fissurado, com prevalência de duas primeiras feições hidrogeológicas;
  • O monitoramento das águas subterrâneas do aquífero na porção confinada do aquífero Guarani no Triângulo Mineiro – bacias hidrográficas dos rios Paranaíba e Grande;
  • O monitoramento das águas subterrâneas na Bacia do Rio das Velhas, com a implantação de pontos de monitoramento em diferentes aquíferos da bacia;
  • E o monitoramento das águas subterrâneas dos aquíferos Urucuia e Bauru em parceria com a CPRM, em poços pertencentes à Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterraneas – RIMAS implantada em nível nacional pelo Serviço Geológico do Brasil, Os poços implantados na porção mineira se distribuem pelas sub-bacia do Rio Urucuia, Rio Grande e Rio Paranaiba.

rede mineira

Figura 1. Mapa do Estado de Minas Gerais com as estações subterrâneas de monitoramento.

Os pontos monitorados são, na sua grande maioria, poços tubulares profundos em operação.. São também monitorados poços rasos na rede do Norte de Minas e 5 nascentes na rede da bacia do rio das Velhas. Os poços operados em parceria com a CPRM são poços dedicados para monitoramento.

O monitoramento das águas subterrâneas da região do Norte de Minas possui uma série histórica mais representativa, pois foi priorizada, historicamente, em função de:

  • Relativa fragilidade ambiental motivada pela baixa disponibilidade hídrica superficial, associada a intenso uso das águas subterrâneas em atividades como a irrigação (com elevada taxa de explotação e potencial risco de contaminação dos recursos hídricos por agrotóxicos);
  • Vulnerabilidade natural dos sistemas aquíferos cársticos;
  • Falta de esgotamento sanitário apropriado nas áreas urbanizadas;
  • E conflitos de uso das águas, que já se configuram nesta região em função dos aspectos mencionados anteriormente, bem como algumas restrições a determinados usos impostos pelo Poder Público – sub-bacia do rio Riachão na UPGRH SF6. 

Parâmetros Monitorados

São monitorados 74 parâmetros físico-químicos e biológicos nas águas subterrâneas. Para o tratamento dos dados obtidos, é feita uma seleção com base no seguinte: parâmetros usados para comparações com padrões legais (incluídos os diferentes tipos de uso – consumo humano, dessedentação animal, irrigação e recreação), parâmetros utilizados no balanço iônico e, por fim, os parâmetros utilizados no tratamento estatístico dos resultados. 

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Figura 2.Parâmetros selecionados para as águas subterrâneas monitoradas no Estado.

Os parâmetros pH, Eh, CE (Condutividade Elétrica), STD (Sólidos Totais Dissolvidos), temperatura e OD (oxigênio dissolvido) são determinados em campo, imediatamente após a amostragem, em vista de sua alteração durante armazenamento. O restante dos parâmetros é determinado através de análises laboratoriais.

Os resultados de qualidade de água gerados são armazenados em uma base de dados, que contém informações atuais e históricas, permitindo observar a evolução da qualidade das águas nas duas últimas décadas. De posse dos dados laboratoriais, a equipe do IGAM avalia os resultados e elabora mapas e relatórios, informando a qualidade das águas do Estado de Minas Gerais.

Os resultados obtidos, mapas e os relatórios podem ser acessados aqui.